Depois de mais de sete meses que 885 famílias cuiabanas foram sorteadas para receber uma casa do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, ainda não há previsão para a entrega das moradias. Apesar de prontas, 1.264 casas estão abandonadas hoje, na capital.

As moradias fazem parte dos residenciais Nico Baracat 1, 2 e 3, localizadas na região do Osmar Cabral. Os imóveis já possuem janelas, portas e pisos instalados, parte interior pintada e pias instaladas na parte externa das casas, além de aquecedor de água, alimentado por placas de energia solar. Porém, os vidros já se encontram quebrados e muitas pias já foram furtadas.

 

As obras se iniciaram em 2014, mas apenas em agosto de 2015 o Município iniciou a seleção das famílias. Na época, a previsão era de que a obra fosse entregue antes do período eleitora,l em 2016.

No entanto, a seleção das famílias foi encerrada apenas em junho do ano passado. Isto porque foram constatadas tentativas de fraude no sistema e diversos “pentes finos” tiveram de serem realizadas para selecionar as 885 famílias beneficiárias.

Destas, 360 famílias já sabem exatamente onde vão morar dentro do residencial, por meio de sorteios também realizados pelo Município. No entanto, nem isso foi suficiente para que houvesse maior celeridade na entrega da obra.

A morosidade fez com que o Governo do Estado entrasse em cena com o aporte de R$ 6 milhões para executar obras de saneamento e drenagem, que ainda não foram realizadas no Nico Baracat 2.

De acordo com o secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Cuiabá, Djalma Sabo Mendes, a prefeitura está aguardando as obras de pavimentação para entregar os residenciais Nico Baracat 1 e 3.

“Estamos aguardando as obras de pavimentação. Aguardando a construtora concluir e liberar para a entrega. Já nos reunimos com a Caixa Econômica e a entrega será feita neste ano”, disse, sem precisar uma data.

Questionado sobre o residencial Nico Baracat 2, o secretário esclareceu que essa obra ainda aguarda o serviço de drenagem, além da seleção das famílias, que deve ser feita pelo Estado.

“Nós vamos entregar o que está adiantado, que é o Nico 1 e 3 que foi feita a seleção das famílias. O Nico 1 é o Estado que vai selecionar”, disse.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Cidades, deverá ser criada uma plataforma junto com a Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação, para sorteio dos beneficiados. Porém, não há previsão sequer para essa plataforma ser colocada no ar.

Subrepreço

Além dos atrasos, há a suspeita de sobrepreço na obra do Residencial Nico Baracat 2, cujo contrato estava sob análise judicial.

Em uma apuração preliminar feita no ano passado pela juíza Vanessa Curti Perenha, da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, teria sido realizado um repasse indevido de mais de R$ 2 milhões à empresa Engecenter Construtora e Incorporadora Ltda.

Quase 500 casas foram vistoriadas por duas equipes compostas por um engenheiro e dois técnicos, que teriam encontrado uma discrepância entre os produtos utilizados na construção e os valores declarados.

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