O número de empresas encerradas no varejo mato-grossense saltou 47,54% em 2016 na comparação com 2015. No ano passado, 3,339 mil empreendimentos que fecharam as portas no estado, ante 2,263 mil unidades no ano anterior. Os principais segmentos que não conseguiram absorver os impactos da crise
econômica foram: supermercados, vestuário e calçados, materiais para construção e comércio automotivo.

 

No Brasil,108,7 mil empresas foram extintas do mercado ao longo dos 12 meses de 2016, 6,6%
a mais que em 2015 (101,9 mil). Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC). O empresário do setor automotivo, Manoel Guedes, entrou para as estatísticas negativas.
Proprietário de uma rede de concessionárias no Estado com 4 revendas, ele precisou encerrar as atividades
de duas unidades, uma em Várzea Grande e outra em Rondonópolis,mantendo as operações apenas em Cuiabá e Sinop.

“É muito triste para mim enquanto empresário não ter alternativa que não seja demitir e fechar as portas. A situação gera frustração diante das perdas e do planejamento que tínhamos”, lamenta. Em Rondonópolis, Guedes mantinha 39 vagas de emprego diretos e indiretos em um empreendimento que
custou R$ 4 milhões,fundado há 3 anos.

Quanto às expectativas do retorno do crescimento econômico, Guedes pontua que as medidas tomadas
pelo presidente Michel Temer (PMDB) não são suficientes para tampar o buraco feito pela crise. “Uma economia madura não se faz com duas ou 3 medidas. É preciso ter segurança jurídica, alívio tributário e condições para não acontecer o que estamos assistindo no país, que é uma sucessão de fechamento
de portas de empresas em diversos setores”, pontua Manoel Guedes.

Para o economista Edisantos Amorim, um dos aspectos macroeconômicos que contribuíram para a
deterioração da atividade empresarial nos últimos 2 anos foi a alta taxa de juros acompanhada da
rigorosa restrição ao crédito.

“Principalmente o crédito subsidiado pelo governo federal e aportado junto aos bancos públicos e de
fomento, como o BNDES. As financeiras passaram a exigir mais mitigadores de risco para o crédito como
garantias muitas vezes fora do alcance do empresário de pequeno e médio porte”. Mesmo com toda a poeira ainda suspensa, Amorim avalia que o pior da tempestade já passou, e que 2017 será um ano de ajustes.

“O empresário que conseguir se ajustar vai vislumbrar crescimento econômico nos próximos anos”, prevê. Sem perspectivas financeiras favoráveis,as micro e pequenas empresas foram as que mais sofreram nos últimos 2 anos de crise, conforme análise da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Ao todo, foram encerradas 39,6 mil empresas de pequeno porte no país em 2016, um aumento de 18,9% sobre 2015, quando foram 33,3 mil.

Entre as micro empresas, o número de encerramentos seguiu direção contrária e foi 18,6% menor entre um ano e outro, passando de 40,2 mil em 2015 para 32,7 mil em 2016. Entre as empresas de médio e grande portes houve aumento no número de fechamentos de empresas, mas em menor quantidade que outros portes no que se refere aos vínculos empregatícios.

Entre os estabelecimentos de médio porte, 12,9 mil empreendimentos fecharam as portas,10,25% a mais que em 2015, quando foram 11,7%. Entre as empresas de grande porte foram 23,5 mil baixas, 40,71% de aumento sobre 2015, quando foram encerradas as operações de 16,7 mil unidades.

Equivalência – O que chama atenção no relatório da CNC é que o volume de vendas e abertura líquida de
estabelecimentos varejistas com vínculo empregatício no varejo entre 2005 e 2016 segue uma tendência de equivalência. Na medida em que aumentou o nível de consumo dos brasileiros nos últimos 12 anos,
também aumentou o número de empresas criadas para atender a demanda. Mas, o desequilíbrio nesta
relação começou em 2013, declinando rumo ao abismo até 2016.

“Acredito que a retração no número de empresas em atividade no varejo será menor a partir do 2º semestre deste ano”, afirma Hermes Martins, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo de Mato Grosso (Fecomércio/MT). “A situação que estamos vivendo com tantas empresas fechadas é sem dúvidas resultado de uma relação direta entre retração do consumo e a dificuldade
de crédito para o consumidor”, pontua.

O advogado especialista em Direito Empresarial, Fábio Melo, adverte que o encerramento da atividade empresarial requer atenção do empreendedor, já que a celebração dos trâmites corretos acarreta em
encargos onerosos que podem se transformar em uma grande dor de cabeça. “O grande problema é que o
Estado não perdoa quando o assunto é recolhimento de impostos. E quem está inadimplente com o
Fisco não consegue encerrar uma empresa”.

Para o advogado muitas empresas poderiam ser salvas se buscassem pela recuperação judicial. “Mas nem todos os empresários possuem essa consciência e quando se atentam para a possibilidade, a situação econômica da empresa é irrecuperável”.

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