O veto do Governador Pedro Taques (PSDB) ao projeto de Lei que proibia a realização de tortura, excesso de exercícios físicos e atividades degradantes aos candidatos que realizam exames e treinamentos para ingressar em carreira de Polícia ou Bombeiro Militar em Mato Grosso provoca o sentimento de frustração na dona de casa Jane Patrício Lima Claro, 37, mãe do aluno Bombeiro Rodrigo Lima Claro, 21, que sofreu uma hemorragia cerebral que o levou à morte após um treinamento.

 

Morte ocorreu 17 dias antes da data prevista para formatura de Rodrigo, que queria seguir a carreira do pai, para salvar vidas. Depois de sofrer hemorragia no dia 10 de novembro do ano passado, morreu cinco dias depois em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Para ela, a morte do filho poderia ser evitada, pois não foi uma fatalidade, mas resultado de uma prática de torturas e humilhações que se repetem e se consolidam há anos, em todas academias de formação militar no País.

 

Ela se diz frustrada. Não aceita o argumento do governador que já existe uma lei federal, superior, que proíbe a tortura, por isso aprovar lei estadual é desnecessário.

Lembra que a justificativa não diminui o sofrimento das famílias de todos os jovens alunos ou profissionais que já morreram nos últimos anos ao passarem pelas sessões de sofrimento a que são submetidos por superiores e treinadores.

“Mais uma vez experimento a frustração, pois quando acreditamos que as pessoas que tem o poder de fazer algo em defesa da sociedade não o fazem, vemos que apenas o lado das corporações são levados em consideração”, diz Jane. Mais uma vez estes instrutores são protegidos pelo Estado.

Ela sugere ao governador que em vez de ouvir apenas os comandos das Polícias Militar e Civil ou dos Bombeiros, que tente ouvir a sociedade, que sofre na pele com a agressividade que estes profissionais devolvem ao passarem por situações de extrema violência, abusos e humilhações em seus cursos de formação.

A mãe reitera acusação de que filho foi brutalmente torturado pela tenente Isadora Ledur, fato relatado por outros jovens que também fazem parte da turma de 37 alunos submetidos a treinamento comandado pela oficial.

Rodrigo foi afundado por ela e mantido submerso por várias vezes, mesmo dizendo que estava se sentindo mal,com muita dor de cabeça. Chegou a vomitar, mesmo assim, foi determinado pela tenente que ele continuasse a fazer o percurso de ida de volta na lagoa. Por diversas vezes foi resgatado pelo grupo de colegas que o acompanhava.

“A morte do meu filho não pode ser em vão. Alguma coisa precisa mudar”, desabafa. Lembra que depois que a morte de Rodrigo ganhou repercussão na mídia, recebeu apoio de várias mães, que já passaram pelo mesmo sofrimento. “Recebi a ligação da mãe de um aluno do curso das Agulhas Negras, que também experimentou a mesma angústia, depois que o filho revelou a brutalidade e torturas que enfrentou nos treinamentos”.
 

fonte ; gd

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