Está previsto para a próxima quinta-feira (2) o depoimento da tenente-Bombeiro Isadora Ledur de Souza à Polícia Civil sobre as circunstâncias da morte do aluno bombeiro Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, ocorrida em 15 de novembro de 2016. Ela será ouvida 79 dias após a morte do jovem.

Rodrigo passou mal após treinamento em água, comandado pela tenente Ledur, acusada pela família de torturar o jovem a ponto do mesmo sofrer uma hemorragia cerebral que resultou em sua morte, cinco dias após as sessões de afogamento que ocorreram na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

 

Segundo a mãe de Rodrigo, Jane Patrício Lima Claro, com o depoimento da tenente Ledur e do comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Marcelo Augusto Reveles de Carvalho, ao qual Ledur era subordinada diretamente, deve estar próximo da conclusão o inquérito policial civil que investiga a suspeita de tortura e omissão de socorro em relação à morte do jovem que estava prestes a concluir o curso de formação de soldado.

O depoimento do comandante do 1º Batalhão está previsto para a quarta-feira (1º), para a delegada Juliana Chiquito Palhares, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ledur será ouvida às 14h de quinta-feira.

Jane, que agora reside com o marido e os outros dois filhos na cidade de Sinop (500 km ao norte), disse que com os últimos depoimentos previstos para esta semana, tem a expectativa de que o inquérito seja finalizado e remetido ao Ministério Público para que se pronuncie sobre os fatos.

“Não quero que a morte do meu filho seja em vão. Ele queria seguir a profissão do pai para salvar vidas. Por isso é preciso que se mudem os treinamentos militares para que outros jovens não percam suas vidas, como aconteceu com Rodrigo”, lamenta Jane.

Segundo ela, o laudo oficial sobre a morte do filho foi assinado eletronicamente no último dia 21, mas ela foi informada do fato no dia 25. Ainda não está com ele em mãos mas deve ter acesso ao documento emitido pelo Instituto de Medicina Legal (IML) nos próximos dias.

 

Jane Patrício diz que ainda não tem informações sobre o andamento do Inquérito Militar, instaurado pelo comando do Corpo de Bombeiros que apura se houve excessos que resultaram na morte de Rodrigo. Sabe que neste procedimento a tenente Ledur já teria sido ouvida.

O Inquérito Militar está sob responsabilidade do coronel Bombeiro Alessandro Borges Ferreira. Em decorrência das investigações, cinco oficiais e sete praças, que atuam na Diretoria de Ensino da Corporação, foram afastados até a conclusão do IPM.

A previsão de encerramento do IPM era inicialmente para 20 de dezembro, mas foi adiado pela não entrega dos laudos. O coronel Alessandro garantiu que os todos os 36 alunos da turma de Rodrigo seriam ouvidos durante a investigação militar.

A tenente Ledur já foi alvo de denúncias anteriores de alunos que foram submetidos a treinamentos comandados por ela. Em um dos casos um dos alunos desistiu do curso, depois de passar por sessões de afogamento, na mesma Lagoa em que Rodrigo passou mal, no dia 10 de novembro.

Mas apesar das denúncias na época, o comando da corporação disse não ter evidências que apontassem para punição ou afastamento da tenente Isadora Ledur. A oficial teve suspensas temporariamente a promoção prevista para a festa de formatura da turma em cinco de dezembro. O comando disse que aguardará a conclusão das investigações.

O Ministério Público Estadual (MPE) acompanha o caso.
fonte ; gd

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