Termina busca da empresária paulista Sirley Vieira Saldanha, 32, pela família biológica em Mato Grosso. Depois de reportagem sobre a procura ser publicada com exclusividade pelo site Gazeta Digital no dia 16 de agosto, ela consegue localizar a mãe, moradora de uma propriedade rural na região Chapada dos Guimarães (67 km ao norte).

 

Com um misto de alívio e decepção Sirley agora compartilha com os leitores mais um capítulo da história de sua vida. Adotada ainda recém nascida a empresária buscava mais informações sobre a sua origem. O pouco que sabia era que a mãe que tinha apelido de “Buga”, tentou jogar ela ainda bebê, nas águas de um rio. Por isso perdeu a guarda da criança, colocada para adoção.

Após a descoberta, Sirley encaminhou mensagem, publicada na íntegra pela Gazeta Digital.

“Venho através desta mensagem, unicamente para agradecer a todos que de alguma maneira tentaram me ajudar na procura da minha mãe biológica. Queria muito encontrar a mulher que me deu quando ainda bebe. Com a ajuda de muitas pessoas consegui encontrar a provável pessoa que eu procurava. Nunca esperei nada da minha mãe biológica, nunca tive qualquer expectativa; estaria satisfeita em simplesmente saber o dia, mês e ano em que nasci. Esperava ouvir uma história triste por parte da mulher que me deu a outra família. Uma história, no mínimo, do tipo “eu tinha muitos filhos e não tinha condições de criá-los, pois não havia comida para todos”.

Não que isso justifique o ato, pois conheço inúmeras histórias de famílias com até 10 filhos que passaram fome e que mesmo assim, os pais criaram e nunca pensaram em dar um único filho.

A família que me adotou é uma família muito humilde que admiro e respeito. A minha mãe adotiva Maria faleceu ainda muito jovem. Fiquei em casa de tias e de tios, mas sempre que possível meu pai adotivo Antônio, estava presente do jeito dele. Hoje entendo que ele, mesmo não morando na mesma casa, nunca me abandou porque de alguma forma todas as vezes que eu precisei, ele aparecia do meu lado. Hoje, se eu precisar sei que ele estará lá pronto para me receber e me ajudar, mesmo sem termos laços sanguíneos.

Ouvi um áudio que uma pessoa de bom coração a quem serei eternamente grata, teve o trabalho de largar a família e os afazeres e ir até a zona rural da Chapada do Guimarães para perguntar, ouvir e gravar o depoimento da minha suposta mãe biológica. Reconheço que em muitas partes do relato coincide com a história que meu pai me contou.

Não ouvi ela chorar, lamentar ou falar algo que demonstrasse tristeza e arrependimento por ter me dado a outra família com bem menos recurso financeiro que ela. Para a minha surpresa, ela sequer sabia a data do meu nascimento, uma data que para ela, foi um outro dia qualquer do calendário. No dia em que nasci, ela relata que só lembra da dor do parto e que antes estava no salão festejando o carnaval e bebendo vinho. Ela lembra perfeitamente que mesmo com a dor das contrações, ela continuou bebendo e dançando no salão. Pelo que entendi, se eu não fosse dada para a família que me acolheu, seria dada para qualquer outra pessoa.

Para vocês entenderem o que estou sentindo neste momento, fico muito triste e choro todas as vezes que falo de uma cachorrinha que tive e que doei. Por outro lado, senti na gravação que a minha provável mãe biológica, não sentiu nada ao dar a única filha que teve em toda a vida. Optou em se livrar da filha não porque estava passando dificuldades econômicas ou de saúde, deu-a simplesmente por não querer abrir mão de se divertir nos salões, dançando e bebendo. Em resumo, eu não sei se sinto raiva ou tristeza em saber que um ser humano foi capaz de dar a sua única filha como se dá um saco de laranja. Não consigo entender como alguém carrega uma criança por nove meses na barriga e nem sequer lembra de qualquer coisa sobre a criança.

Nossa, tenho muito o que falar porque estou pensando mil coisas mas a minha estória se resume no seguinte: “minha mãe teve uma única filha, deu esta única filha não e sabe qualquer detalhe sobre a filha. Só se lembra de carnaval, bebida e milagrosamente o nome da família a quem ela deu a filha .

Posso estar enganada, e peço a Deus e às pessoas envolvidas desculpas caso eu esteja errada. Mas, no momento, não estou animada em continuar esta busca e de tentar curar a cicatriz deste passado decepcionante. Neste triste momento, prefiro mergulhar no meu trabalho. Bom, acho que agora conheço a minha estória. Os meus sinceros agradecimentos a todos que tiraram um pouquinho do seu tempo para tentar me ajudar. Sinceramente eu esperava um final feliz.

Um forte abraço e que Deus nos ilumine e que as mulheres que colocarem filhos no mundo, não os abandonem por nada neste mundo mesmo que ele tenha uma doença que o torne incapaz. Um emprego e um prato de comida sempre se conseguirá, pois sempre haverá alguém para ajudar e quando uma mãe tem um pouquinho de amor, ela não abre mão do filho mesmo passando fome.

O tempo geralmente cura todas as feridas. Só espero que as minhas feridas não demorem muito para cicatrizar e que não seja muito tarde o dia que isso vier a acontecer”.

 

fonte;gd

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