Usufruindo igualmente do lucro obtido nos golpes em contratos de decoração de casamentos e aniversários em Cuiabá, o casal Rafael Lucena Gauna de Almeida, de 33 anos, e Emanuely de Souza Félix Lucena, gastavam com viagens juntos e despesas pessoais. As investigações da Delegacia Especializada do Consumidor (Decon) apontam que ambos eram responsáveis ativos pelos crimes, e dividiam igualmente o dinheiro. Assim, enquanto a mulher se incumbia da execução do projeto de decoração, o parceiro se encarregava da parte administrativa e da documentação.

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Juntos eles aplicaram mais de 50 golpes em contratos com pessoas físicas e jurídicas que não foram executados, causando um prejuízo estimado em R$ 800 mil. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Ana Cristina Feldner, Emanuely era quem tinha contato direto com as noivas, envolvendo-as no planejamento e ornamentação dos eventos.  “Ela ficava com parte da decoração, de conversar com as noivas sobre quantidade de vasos, flores, por exemplo. Já o marido, indiciado por participação ativa na ação, se encarregava de negociar os valores e da parte administrativa.”

Rafael foi preso no final de julho, no bairro CPA II, quando saía de sua residência. Já sua esposa, que estaria se escondendo no estado de São Paulo, continua com mandado de prisão aberto e é procurada pela Polícia Civil. No total, as investigações reuniram 54 boletins de ocorrência e o depoimento de 48 vítimas que confirmaram a ação da dupla, que recebia pelos eventos, mas no momento da prestação de serviço desaparecia. “Pedimos para as pessoas que nos ajudem e repassem informações de onde ela possa estar”, diz a delegada.

Foragida desde março, quando as denúncias vieram à tona, Emanuely chegou a retornar à Capital para se apresentar na Decon. Na ocasião ela prestou depoimento, alegando que as festas não haviam sido realizadas porque sua empresa faliu e que a situação não se trava de golpe. A estelionatária também afirmou que deixou a cidade por ter desesperado e não saber o que fazer. As alegações, no entanto, não foram comprovadas, e, segundo a delegada a acusada teve o mandado de prisão decretada ainda na época.

Ana Cristina explica ainda que as prisões preventivas dos indiciados foram representadas a fim de restabelecer a ordem pública e econômica, e que o casal responderá pelos crimes de estelionato e propaganda enganosa. “A sociedade precisa de uma resposta para este tipo de crime, até para que sua prática não seja estimulada pela impunidade. Em casos como o deles, que não tem nada no nome e não tem como devolver o dinheiro, o delito é cometido porque pensam que vai ficar por isso mesmo.”

Ela avalia ainda que o trabalho da Polícia Civil e do Poder Judiciário na repressão deste tipo de crime, além de punir, previnem outras ações parecidas. “Nós estamos vivendo um período de difícil, de crise e, muitas vezes os crimes contra o consumidor são tratados como menos graves. No entanto, mesmo diante das dificuldades, tenho certeza que as pessoas pensaram duas vezes antes de fazer algo parecido. Não podemos deixar que a impunidade prevaleça e motive estas ações.”

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