Familiares de pacientes que estão em tratamento contra o câncer fora do estado reclamam que não estão recebendo regularmente as parcelas do programa do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), disponibilizadas pelo governo do estado, através de recursos do governo federal. Em um dos casos, o benefício não seria pago desde setembro do ano passado.

Liszania Francisca da Cunha Dias, é mãe de Guilherme Bruno Dias da Silva, de 1 ano e 3 meses, que está em tratamento contra um câncer raro, em São Paulo, desde 2015. Ela afirma que recebeu apenas duas parcelas do TFD.

Liszania conta que ela e o marido estão vivendo em São Paulo, numa casa de apoio. O marido dela está desempregado e às vezes consegue algum bico para tentar se manter.

A mãe relata que Guilherme Bruno foi diagnosticado quando tinha 5 meses de idade, com o câncer de neuroblastoma, que é um tipo de câncer que se desenvolve principalmente em crianças com menos de cinco anos de idade.

“Desde que descobrimos a doença estamos lutando para salvar a vida de nosso filho. Não estamos aqui a passeio, mas é triste você ter que depender da ajuda do Estado e, eles atrasam o repasse e muitas vezes não fazem nada para auxiliar as famílias que necessitam ficar fora do domicílio. Nós nos sentimos abandonados”.

Liszania destaca que Guilherme teve complicações após uma cirurgia e hoje necessita de ventilação mecânica. Além disso, ele teve alergia após a quimioterapia, precisa usar fraldas especiais e também um suplemento que se chama Fortini, porque perdeu muito peso e o hospital não fornece.

“As únicas fraldas que não dão alergia são as das marcas Turma da Mônica e Pampers. Nós também estamos precisando de roupa de frio, porque não temos e aqui está fazendo muito frio. Então quem puder nos ajudar eu agradeço muito”.

A mãe também relata que após a cirurgia Guilherme perdeu os movimentos da perna, por isso precisa usar uma tala por causa da paralisia que o tumor causou. Ele também teve um desvio na coluna no decorrer do tratamento.

Outro Lado
Em nota a Secretaria Estadual de Saúde informou que houve um atraso no pagamento das diárias do paciente Guilherme Bruno Dias da Silva, em virtude da reformulação do fluxo dos processos, além da greve dos servidores que também afetou o andamento das demandas do TFD. Esclarece ainda o processo de ajuda de custo do paciente foi tramitado para que o pagamento seja efetuado nos próximos dias.

Desabafo em carta
Meu nome é Liszania Dias e tenho um filho de 1 ano e 3 meses fazendo tratamento de câncer, no hospital Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – Itaci, em São Paulo.

Viemos encaminhados pelo programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD) no dia 21 de setembro de 2015 por não ter o devido tratamento em nosso estado natal (Cuiabá/MT).

As passagens minha e do meu filho foram custeadas pelo referido programa (TFD), contudo, dada a situação do tratamento ser de no mínimo 2 anos, podendo se estender a 5 ou mais, largamos nossos empregos, casa, família e nos mudamos para São Paulo para focar no tratamento de nosso príncipe.

Todo fim de mês, eu e meu marido damos entrada na documentação exigida pelo TFD para recebermos a ajuda de custo instituído pela Portaria nº 55 da Secretaria de Assistência à Saúde (Ministério da Saúde), um instrumento legal que visa garantir, através do SUS, tratamento médico a pacientes portadores de doenças não tratáveis no município de origem por falta de condições técnicas. No entanto só obtivemos duas parcelas paga pelo governo do Estado de Mato Grosso até hoje.

Como cidadã brasileira, sinto-me profundamente envergonhada e humilhada por nossos “representantes públicos”, não apenas por não ter recebido nenhuma ajuda financeira do Estado de Mato Grosso, porque infelizmente não sou a única, mas também porque dezenas de famílias mato-grossense tem sofrido com essa irresponsabilidade de alguns agentes públicos que não sabem o que é ter uma filha, filho ou qualquer parente próximo em tratamento de CÂNCER.

Senhores, humildemente, peço que se coloquem no lugar de cada pai ou mãe que se encontra aqui em São Paulo ou em qualquer lugar do país, tendo esse que deixar toda uma vida para trás, de forma tão abrupta e repentina para estar ao lado de seu filho ou filha nessa luta gigantesca contra o CÂNCER.

Hoje estamos eu e meu marido desempregados e vivendo de doações de parentes e amigos. Dai-nos o mínimo de dignidade e sejam céleres nesses processos de liberação de ajuda de custo. Hoje nós passamos por tudo isso, mas e amanhã, alguém pode dizer que também não passará?”

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