Sem receber salários desde janeiro deste ano, médicos da Santa Casa de Misericórdia de  Rondonópolis, município a 218 km de Cuiabá, paralisaram as atividades nesta terça-feira (19). O hospital não tem recebido recursos do governo de Mato Grosso e da prefeitura municipal, valor que totaliza R$ 3,6 milhões, segundo os profissionais. A categoria afirma que só retoma os trabalhos com o recebimento de, pelo menos, valor equivalente a dois meses de salários. Enquanto isso, a unidade realiza apenas atendimentos de urgência e emergência e de pacientes já internados.

Em nota, a secretaria de estado de Saúde (SES) esclareceu que deve realizar o empenho dos pagamentos devidos nesta quarta-feira (19) e que a execução dos valores acontecerá nos próximos dias. Disse ainda que está trabalhando para que todos os pagamentos sejam efetuados no menor prazo possível, garantindo a normalização do atendimento em Rondonópolis.

Já a Prefeitura da cidade afirma que a falta de pagamentos se deve a uma questão legal ainda a ser resolvida na Câmara Municipal.

Situação semelhante à da Santa Casa de Rondonópolis chegou a acontecer na Santa Casa de Cuiabá e outros três hospitais filantrópicos da capital na última semana. O hospital anunciou que deixaria de receber pacientes para internação em unidade de terapia intensiva (UTI) por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) alegando falta dos devidos repasses. Um acordo proporcionou a retomada das internações. Entretanto, os serviços de atendimento em saúde na região sul do estado continuam prejudicados, devido à atual greve dos médicos no Pronto Socorro de Cuiabá, considerada ilegal pela Justiça.

Santa Casa de Rondonópolis
A Santa Casa de Misericórdia de Rondonópolis é referência em atendimento em obstetrícia e cardiologia na região sul do estado. De acordo com a assessoria da unidade, a maioria dos médicos não é contratada e trabalha mediante prestação de serviço com emissão de nota correspondente. Sem os recursos de repasse do estado e da Prefeitura, os fornecedores do hospital também deixaram de ser pagos, prejudicando estoques de insumos como agulhas, seringas e antibióticos.

“Daqui a pouco, mesmo se o hospital estiver com as portas abertas para atendimento, não vai ter como, mesmo se quisermos,  pela falta de condições, remédios, pessoal. Isso é um prejuízo enorme para toda a população da região sul. O hospital é uma referência de cardiologia, obstetrícia e pediatria da região sul do estado”, explicou Jaeder Carlos Pereira Junior, ginecologista.

Câmara municipal
O município de Rondonópolis deixou de repassar à Santa Casa o valor de R$ 992 mil, segundo alegam os profissionais em greve. Já de acordo com o secretário de saúde municipal, Israel Peniago, houve uma modificação na forma de repasse dos recursos públicos em questão, fato que causou o atraso.

“Tinhamos previsto a realização deste pagamento de forma parcelada. A Santa Casa pediu para que nós [a prefeitura] pagássemos de uma única vez. Para isso, precisamos modificar a lei e o processo deve passar pela Câmara de Vereadores”, explicou o secretário.

A votação da pauta na Câmara Municipal de Vereadores está prevista para acontecer ainda esta semana. Segundo o secretário, se a nova lei for aprovada dentro do previsto, os recursos vão para a Santa Casa ainda nesta quarta-feira (20). Os médicos se recusam retomar o atendimento pleno da unidade antes do pagamento de pelo menos dois meses atrasados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte ; g1 mt

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